Tuesday, June 30, 2009

Deus e a carne fraca






E lá vai Deus, caminhando,
pois nem pressa pode ter.
E eu sei que, bem no fundo,
talvez homem queira ser.
E de tanto viver amoado,
sempre lhe vejo e indago:
-Se Deus é tão certo,
de certo criou o pecado.

Deus desfruta o passatempo
quado assopra, cria vento,
pra brincar de trovoada.
E quanto ao homem? Nada!
É Deus que anda entediado,
quase vendendo a alma ao diabo.
E se o diabo errado é,
De certo criou a mulher.
E com certeza eu posso dizer
e que não metam a colher:
-Criou pra tentar Deus,
que, de certo, nem sabe o que é.

Monday, March 09, 2009

2+2=5





Eu queria entender o que aconteceu comigo naquele dia, 03/02/2007. A única coisa que sei é que sou incapaz de agir racionalmente. Ainda me indago sobre qual seria meu ponto de orientação... Não sei se por emoções ou por desejos. Ainda não sei sequer quais tipos de emoções eu ainda sinto. Não sei exatamente quando chorar ou quando rir... Não consigo naturalmente esboçar reações comuns à todos. Ao menos não todas elas.
Por isso prefiro acreditar que estou à deriva. Rir em velórios, chorar em dias de sol. Odiar quem amo e odiar por amar a quem odeio.
Eu não sei se é pelo tom de voz, ou a falta de convicção.
Eu quero ficar em casa, pra sempre. Onde 2+2 são sempre 5.

Sunday, February 15, 2009

Dick Farney

Aí vai uma postagem diferente. Dick Farney, ou Farnésio Dutra da Silva. Brasileiro, pianista e amante do Jazz. Morreu no dia 4 de agosto de 87, data do meu nascimento.
Este vídeo é um trecho de um programa exibido pela TV Cultura.

Radiohead.





I'm the next step
Waiting in the wings
I'm an animal
trapped in your hot car
I am all the days
that you choose to ignore

You are all I need
You're all I need
I'm in the middle of your picture
Lying in the leaves

I am a moth
who just wants to share your light
I'm just an insect trying
to get out of the night
I am still with you
because there are no others

You are all I need
You're all I need

Ópio





Por mais uma vez, mais uma madrugada, mais cigarros, café, e menos sono.
É difícil dormir quando se está entre a cruz e a espada... e a espada é o que mais lhe atrai.
Seria tão bom poder prever o futuro.. Mas acho que futuro algum sabe de você, que muda de vida à cada segundo.. Tão instável quanto o ozônio.
Mas eu preciso.. Preciso rir quando se estaciona o carro na vaga de defei- digo, deficientes. Só acontece assim.
Eu não sei como funciona.. Mas é bem além do controle.. Existe um cabo - usb 2.0 - conectando esses dois corpos. E existe tanta coisa besta que eu penso agora.. Talvez por que nada possa ser mais besta do que eu, quando penso nisso.
É que você é o reagente... uma composição química que explode quando você é adicionada. E o resultado nenhum químico é capaz de prever.
Eu tô, como sempre, mergulhando de cabeça... sem saber no que vai dar.. E já sabendo que bom não deve ser..
Mas... você é o meu ópio. E a religião que se foda.

Monday, February 09, 2009

Reabilitação





Cada pedaço de concreto da minha vida se desfaz, quando você aparece. Acho que temem você. Acho que nos temem. Você eu sei, o quão segura é do que faz. Eu, sobre mim, só sei que vejo as coisas passando e acontecendo. Sou um mero espectador.
Não é culpa sua. Acredito que não seja minha culpa, também. Afinal, não erramos. Nem eu, nem você. Não ousaríamos errar. Já pensamos tanto nisso, que eu não acho que haja brecha pra qualquer erro.
Eu sei que você tem um vício. Ou dois.. três no máximo. Eu tenho um vício. Cobain não sabe o que significa "vício". É bem maior que a heroína. Eric Clapton era um sujeito limpo, perto do quanto já me afundei nesse vício.
Mas bebo doses ordinárias de café com whisky, na minha própria clínica de reabilitação.
Você diz quando eu tenho alta.

Sunday, February 08, 2009

Kriptonita





Minha razão segue sempre por rumos errados. Não existe razão nessa razão. Ou diria até que o pouco de razão que me resta me é tomada por completo por uma medida de centimetros ou metros, Kriptonita.
Me toma todo o ar, toda atenção. E infelizmente, por mais que eu tente, eu fico alí, caído. Sem qualquer tipo de reação.
Diferente dos quadrinhos, não me safo por te colocar numa caixa de chumbo. Ainda não achei nada resistente o bastante pra te guardar.
Antes fosse somente a presença... mas as ondas sonoras emitidas por você, Kriptonita, afetam minha audição.. paralisa movimentos.. e refaz pensamentos.
Não uso capa vermelha.. não tenho super-poderes.. Tenho somente essa carne fraca, que facilmente se corrompe pelo câncer da sua radioatividade. Mas quem pode julgar-me? Tens um brilho que, tão ostensivo ao me persuadir, me faz iludibriar com tanta beleza.
E como rocha, impenetrável, você não se abala por nada, Kriptonita.

Sunday, January 04, 2009

Se todas fossem iguais a você




Se todas fossem iguais a você
existiria verdade sim, senhor Jobim.
Mas acredito que todos estariam assim
como eu, ou Moraes,
por querer menos da vida. Ou mais?
Por que se todas fossem iguais a você
a vida se dividiria em duas,
em amor, prazer;
ou penar, sofrer.
E eu estaria ali no meio
por bem saber de você
por bem te conhecer...

Monday, December 22, 2008

Hocus Pocus




Que saudades senti desse beijo,
que permanece ainda o mesmo.
Que saudades senti do olhar,
que nem podia mudar.
Saudade dos labios, cabelos
ombros, sonhos e pesadelos.
Saudade de tudo que você me dá,
Arrepios ofegantes ou penar,
Da pele, perfume...
Pensei ter perdido o costume,
mas não. Sei ainda te amar.